terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A breguice cara

Sidnei Magal virou cool. É o brega chique, o brega tradicional. Sidnei Magal marcou uma geração com um ritmo de músicas com melodias densas que tratam de declarações de amor, casamento, traição e desilusões.

Uma das teses sobre a origem da palavra brega é que ela deriva da rua Manuel da Nóbrega, em Salvador, rua esta que ficava numa região de meretrício da capital baiana. Com o tempo, a primeira sílaba da placa com o nome da rua foi ficando apagada e as pessoas passaram a se referir aos prostíbulos dessa região como “brega”. O termo se espalhou e, até os anos 1970, tinha também o sentido de “desordem”, “confusão”, por meio de expressões como: “Isto aqui está o maior brega!”, “que brega é esse?” etc., associando um ambiente ou situação qualquer ao caos de um “brega” .

Até aí tudo bem, afinal, é arte. O problema começa quando o amoroso, que deveria estar na arte ou nas relações privadas, começa a ocupar a política e esta passa a ser coordenada pela lógica das declarações amorosas, da traição, da sedução e de qualquer outra coisa que não o interesse público.

Os políticos de hoje, como nunca, apelam para o afeto. É o pobre presidente que se fez sozinho. O homem nascido quase que na manjedoura desbravou o mundo, superou dificuldades e discriminação e hoje alcançou o mais alto posto nacional sendo referência no mundo. Até aí, é uma história bonita, porém, é um equívoco pensar que a história pessoal de alguém que passa a ocupar um cargo público autoriza o sujeito a qualquer coisa e o exime de compromissos e muito estudo.

O mesmo ocorre com vários prefeitos e governadores que apelam para o falso self-made man. Ninguém se faz sozinho. Alcançar um posto político no Brasil exige ser um grande namorador, muito mais que alguém qualificado do ponto de vista da administração pública, preocupado com o erário ou que tenha uma qualificaçao básica, inclusive, com a língua portuguesa. É preciso ter humildade e admitir que a história é história e que para fazer coisas no presente é preciso mais que lembranças, filmes ou discursos passionais que fazem os outros chorarem pela identificação na dor ou no sonho.

Nesse campo de seduções privadas, se permitem absurdos como árvores de Natal sem licitação que custam mais de R$ 3 milhoes. Com menos que esse valor era possível, em Florianópolis, transformar a casa rosa, antiga Câmara de Vereadores e um dos primeiros prédios da cidade, em um centro cultural. Isso sim seria um “Natal dos sonhos” com um presente permanente para toda Santa Catarina.

Seria possível, ainda, construir alguns parques na cidade ou mesmo um espaço permanente para shows. A incapacidade de perceber que o dinheiro público não pode ser usado para manter as pessoas na melodia do sofrimento, apesar de ela gerar muitos votos, pressupõe um pouco de estudo e respeito pelos reais interesses da sociedade, isso sem falar em compromiso ético e vergonha na cara.

A política nacional parece um quadro de violência doméstica, no qual entre uma guerra e outra o algoz aparece com flores, show, árvores ou com o PAC, cuja melhor definição seria “pão e circo”. Certamente muitos já foram seduzidos, seja pela história do homem pobre, ou pelas facilidades para suas empresas e empreendimentos. Ou seja, a garantia de se fazer o que quiser, mesmo que isso signifique destruir aquíferos, água e floresta pelo simples fato de ser amigo e financiador parceiro. Seja a lágrima ou a propina, ambas operam na breguice cara que nos afunda num mar de lamentações.

* Publicado hoje no Jornal AN

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre o aborto

http://www.tvbv.com.br/?pg=noticias&id=983

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aquecimento global, só não ve quem não quer

Os sinais de alerta do aquecimento climático estão se multiplicando. Segue uma lista de dez fenômenos já observáveis e que devem se agravar nos próximos anos:

Derretimento ártico
O derrtimento das geleiras do Ártico, que cobrem 15 milhões de km2, começou. Isso ameaça a sobrevivência das espécies, como os ursos polares. Menos os raios solares são refletidos pelo gelo e mais o seu calor é absorvido pela água, o que acelera o derretimento. Pela primeira vez em 2008, a passagem do Noroeste - ao longo da América - e a passagem do Nordeste - ao longo da Rússia- ficaram sem gelo durante algumas semanas durante o verão.

Derretimento polar
O derretimento das calotas polares, principalmente na Groenlândia e no continente antártico, contribui para o aumento do nível dos oceanos. A diminuição da calota antártica, antes limitada à parte ocidental deste continente, atinge agora as regiões costeiras de sua parte leste. O derretimento completo das geleiras da Groenlândia elevaria o nível dos mares em 7 m, a da calota antártica a mais de 70 m.

Derretimento nas alturas
O derretimento das geleiras de altitude, principalmente as do Himalaia, ameaça o abastecimento de água em inúmeras regiões (norte da Índia, China). As geleiras dos Andes tropicais perderam entre 30% e 100% de sua superfície em 30 anos, a dos Pirineus podem todos desaparecer até 2050. 85% da calota polar que recobriam o Kilimandjaro em 1912 já haviam desaparecido em 2007.

Elevação dos mares
A elevação do nível dos mares é mais rápida que o previsto porque o derretimento das calotas polares não foi levado em conta no último relatório do IPCC. Os especialistas da ONU haviam então calculado que a alta atingiria de 18 a 59 cm até o fim do século. A elevação pode ultrapassar 1 m, afirmam ainda os especialistas em clima. Estados insulares, como as Maldivas, serão engolidos. Regiões costeiras muito densamente povoadas (Bangladesh, Vietnã, Holanda) e inúmeras megalópoles estão ameaçadas.

Recifes de corais
Os recifes de corais, que abrigam um terço das espécies marinhas do planeta, além de meio bilhão de pessoas, e protegem as costas dos maremotos, estão ameaçados pela acidificação dos oceanos: uma leve queda do PH da água provoca também uma menor fixação do cálcio pelas conchas, que estão fragilizados.

Fenômenos meteorológicos
Os fenômenos meteorológicos extremos são mais numerosos que antes. Haverá, sem dúvida, nos próximos anos e décadas mais ondas de calor extremo, inundações e secas nas zonas áridas.

Desmatamento de florestas tropicais
O desmatamento de florestas tropicais, em primeiro lugar da Amazônia, pode tirar sua capacidade de estocar carbono. Atualmente, a Amazônia recicla a cada ano 66 bilhões de t de CO2, ou seja, quase três vezes o que liberam os combustíveis fósseis do mundo.

Desertificação
A desertificação se intensifica, principalmente no Sahel ou no norte da China. O lago Tchad perdeu 90% de sua superfície em 40 anos, passando de 25 mil km2 a 2,5 mil km2. A seca de zonas úmidas já provocou um aumento de 20% do CO2 que libera na atmosfera, segundo a ONG Wetlands International. Os principais países emissores são Indonésia, Rússia e China. A emissão do metano contida nos solos antes gelados em permanência do Grande Norte e nos fundos marinhos (hidratos de metano) começou. O metano é um gás de efeito estufa 25 vezes mais forte que o CO2.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Protetores Solar

Metade dos dez protetores solares mais vendidos no Brasil não é eficaz, de acordo com pesquisa realizada pelo Pro Teste, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. As informações são dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, em suas ediçãões de ontem (1º).

A pesquisa foi realizada em Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Apenas dois dos dez protetores FPS 30 (fator de proteção aos raios UVB) em loção, avaliados, realmente protegem contra o sol. E somente três dos protetores (LOréal Solar Expertise, Cenoura & Bronze e o Hélioblock da La Roche-Posay) não possuem na sua composição o benzophenone-3, um ingrediente altamente cancerígeno, que é proibido em vários países.

O teste englobou a análise de rotulagem, composição, irritabilidade, hidratação, proteção, resistência a exposição solar e teste em uso. As marcas LOréal Solar Expertise e o Cenoura & Bronze foram consideradas as melhores.

O rótulo do Hélioblock da La Roche-Posay foi classificado como o pior, pois traz informações em uma etiqueta muito pequena, que dificulta a leitura.

Apenas o LOréal Solar Expertise, o Cenoura & Bronze e o Natura indicam o fator de proteção UVA. Quatro dos protetores possuem proteção UVA baixa, no entanto, a legislação brasileira não exige um mínimo.

Os raios UVA atingem as camadas mais profundas da pele e provocam envelhecimento precoce.

No teste de exposição do produto à radiação solar e ao calor, a Avon, Hélioblock, Nivea, Banana Boat e Sundown se mostraram fotoinstáveis e foram reprovadas, pois não mantêm nem 80% da proteção inicial após uma hora em uso a uma temperatura de 40ºC.

Após ficar 30 minutos na água, o banhista tem muitos motivos para se preocupar, já que produtos como o Fotoequilíbrio e Sundown, reduzem a proteção para 30% e 55%, respectivamente.

Todos os protetores foram considerados muito oleosos. Em relação aos preços, constatou-se que alguns protetores custam o dobro ou mais que os outros e têm eficácia menor.

A exposição solar pode trazer uma série de consequências como velhice precoce, queimaduras e câncer de pele.

Após o levantamento, a Pro Teste pede que a Anvisa passe a exigir o fator UVA de no mínimo um terço do FPS do produto, assim como ocorre na Europa, e que esta informação conste no rótulo. Também são solicitados testes de fotoinstabilidade.

Contraponto

* A Mantecorp, responsável pelo Coppertone e Episol, informou que seus produtos "seguem padrões de qualidade nacionais e internacionais e apresentam toda a documentação exigida pela legislação brasileira e pelos órgãos governamentais competentes".

* Repórteres dos dois jornais procuraram as outras empresas, mas não obtiveram respostas até a publicação das matérias. Os posicionamentos serão incluídos posteriormente, caso haja resposta

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nenhum domínio sobre mim

Pense rápido em uma fruta tipicamente brasileira de que você goste. Se você tentou acertar de primeira deve ter pensado em Carmen Miranda e na expressão “república das bananas”. Errou. A banana foi introduzida no Brasil no século 16 e o que aqui foi plantado, a partir da colonização, origina-se do Sudeste asiático. A banana não é nossa. Quem sabe a melancia? Essa veio da África. Ou então a manga? Burma. Laranja? China. Quando começa o incômodo para tentar acertar alguma, apelamos para espécies com nomes mais “indígenas” ou para as lembranças de alguma viagem para o Norte ou Nordeste do Brasil. Quem sabe a jaca! Veio da Índia. Graviola! Antilhas. E assim por diante.

Quase todas as frutas que vemos no supermercado, feiras ou fruteiras foram introduzidas no período do descobrimento ou um pouco depois pelos portugureses. Mas que frutas brasileiras conhecemos e comemos, afinal? Maracujá, caju, abacaxi, pitanga, guaraná, coco. Por acaso você já achou na prateleira de hortifrúti algo como cambucá, guabiroba, inharé, bacupari? Essas são daqui. No Brasil, temos 312 espécies nativas (daqui) de frutas e 515 exóticas (de fora). Ao que tudo indica, não comemos regularmente mais do que cinco espécies nativas. Aliás, a ampla maioria nunca sequer ouviu falar em nada além das cinco ou seis frutas nativas que come. Ah… o physalis, que vem em caixinha e parece algo europeu por ser caro e exclusivo, é brasileiro.

Se levarmos em conta a perspectiva do biorregionalismo, produzimos em larga escala apenas as frutas que são boas para o organismo e paladar os outros. Ainda somos colônia. A colonização explícita, com nome e sobrenome, passou, mas ainda ficou a colonização política, de produção de alimentos, econômica e, principalmente, a do pensamento. Querem que acreditemos que o mundo é de uma determinada maneira e não pode ser de outra. Estive na Festa do Morango em Taquaras, que é uma cidade linda, com uma população sem empregos porque a maioria é dona do próprio nariz, ou seja, não tem emprego, mas tem trabalho e vive muito bem.

No caminho, porém, não pude deixar de reparar no deserto verde, constituído de pínus e eucalipto, ambas árvores exóticas que desvitalizam o nosso solo. Não obstante isso, bancos de fomento governamentais apoiam esse plantio, assim como corporações nacionais e estrangeiras que precisam de matéria de primeira desse tipo e ainda fazem marketing como se fossem grandes promotoras da sustentabilidade ambiental – o nome desse estelionato verde é green wash e permite que empresas nocivas aumentem o seu índice de sustentabilidade e responsabilidade social na bolsa de valores.

Em Taquaras, o único expositor de morango orgânico tinha de vender o seu produto quase ao dobro do preço porque não tem incentivo fiscal e precisa gastar com certificação, rastreabilidade e plantio que respeita as pessoas, o solo, a água e a vegetação nativa. A colonização econômica do pensamento é tamanha que, mesmo com tanta informação séria disponível sobre o efeito dos agrotóxicos no meio ambiente e nas pessoas, o consumidor só consegue decidir a partir de um ganho imediato, como menor preço, desconto, promoção etc.

Enquanto o governo só financiar – de maneira sólida e sistemática – as grandes corporações, a produção linear e a agricultura extensiva, não poderemos comer um morango saudável mais barato. Por outro lado, enquanto nós, consumidores, decidirmos não pensar nas externalidades do produto (eufemismo econômico para todo custo que não pagamos, mas deixamos para a natureza), não vamos conseguir mudar o mercado.

Se for verdade (tenho lá minhas dúvidas) aquela historia de oferta e procura, temos de procurar algo que nos afaste dessa colonização econômica e, então, a oferta, em tese, também mudará. Mas, para isso, é preciso mudar a lógica de só pensar no maior morango, o bombadão, e priorizar o mais saudável. Podemos comer um morango orgânico, sem agrotóxicos que destroem a nossa saúde e o meio ambiente, mas, para isso, nós, individualmente, precisamos fazer as primeiras escolhas. Melhor ainda é comer o physalis orgânico, que é tipicamente brasileiro, já que o nosso morango é um híbrido europeu e chileno e só entrou para o gosto popular em 1960. Esse assunto tem muito pano para a manga. Quem gosta do tema, sugiro toda a obra de Harri Lorenzi, do Instituto Plantarum.

* Publicado no AN

sábado, 28 de novembro de 2009

Caso Fosfateira em Jornal Noruegues e outras news

Além do Comite de Bacias, em 60 paginas e 14 topicos/problema, condenar a instalação da Fosfateira em Anitapolis por conta do seu impacto no meio ambiente, o tema também foi objeto de resportagem em jornal internacional:

Comite de Bacias
http://www.notisul.com.br/conteudo.php?conteudo_cod=20592&tipo=e&editoria_cod=9&PHPSESSID=bbef3c0adf26b03a8db32f51115f92cf

Jornal da Noruega
http://www.norwatch.no/200911271368/yara/diverse/yara-planer-stanset-ved-dom.html

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Irritando Samantha Buglione

Irritar, do dicionário, é “enervar(-se), causar dor ou inflamação a um órgão”. Sou uma pessoa irritável (às vezes, irritante, admito!). Minha irritação é uma dor de aflição. Uma aflição por conta de absurdos como abuso de poder (político e econômico), passividade, normopatia, enganação, alienação, desistência, corrupção. O sangue ferve. Acho que ainda me importo demais, demasiada atenção às coisas da vida. Aí, como em um exercício tragicômico, resolvi fazer uma lista “top 10” do que mais me irrita e compartilhá-la. Talvez eu descubra que não sou uma irritada solitária.

1. Assoprador de folhas. Sou do tempo que o povo usava vassoura. Comprar um aparelho a gasolina e que faz um barulho infernal, para assoprar folhas, em regra para o terreno ou casa do vizinho, é, no mínimo, a consagração da preguiça como forma de cultura. Nível de irritação: 8.

2. “O sistema não permite, senhora”. Vício dos teles e das pessoas que não conseguem resolver problemas, essa frase é uma facada. Sinto-me em tempos medievais quando tudo se justificava com Deus. Ao que tudo indica, Deus se transformou no “sistema”. Nível de irritação: 10.

3.“Fizemos isso em nome da lei”. Essa frase só não é pior do que a que diz “matei em nome de Deus”. Vários atos ilegais do poder público são justificados, acredite, pelo cumprimento da lei. Não é que a lei seja ruim, é o agente público que não entende nada e se fia na ignorância alheia. Ignora, por exemplo, que há uma hierarquia normativa e que ele está subordinado a ela e não às vontades políticas contingentes. Essa ignorância sem-vergonha explica, por exemplo, a farra dos alvarás ilegais. Nível de irritação: 10 com estrelinhas.

4. “O que adianta eu fazer se nada vai mudar mesmo?” Muitos acham que é melhor ficar acomodado do que tentar mudar alguma coisa. A ação não precisa ser grande. Ela começa em casa, indo ao supermercado, por exemplo. Devemos fazer algo despreocupados se vamos conseguir mudar alguma coisa ou ter glórias, devemos fazer dever e possibilidade de fazer. Nível de irritação: 8.

5. O sistema de transporte de Florianópolis. Ônibus caro, ruim, que não respeita os horários e pinga-pinga. Cadê a licitação? Nível de irritação: 9.

6. Cidade sem praça. Aquele papinho de que praça traz marginal não só é ignorante como má-fé. Praça só traz marginal se as pessoas acharem que o ideal de divertimento é ir ao shopping. As crianças de hoje estão com DDA e não têm ideia do que é uma minhoca. É só TV, prédio e consumo. Vão brincar onde? Vão descobrir o mundo como? Por meio do Discovery Kids? Nível de irritação: 10.

7. Criminalização do aborto voluntário. A criminalização do aborto destina-se apenas a algumas mulheres, sendo, por isso, uma lei que discrimina explicitamente mulheres pobres ou sem informação. Mulheres com condições econômicas fazem aborto no exterior sem, ao menos, cometer crime no Brasil; ou, ainda, em uma clínica privada sem colocar em risco sua saúde. As demais morrem ou são criminosas. Nível de irritação: 9.

8. Financiamentos do BNDES. Cada vez que vejo o BNDES dando dinheiro para grandes corporações, em vez de dar recurso para o pequeno agricultor, para o produtor orgânico e para o turismo, quase morro. Dinheiro do BNDES é dinheiro público. Isso parece aquela velha frase: “Quando o pobre dá para o rico até o diabo acha graça”. Nível de irritação: 10 com estrelinha.

9. O discurso do crescimento e da geração de emprego como justificativas a tudo. Questiono: crescer para onde e para quem? Toda a geração de emprego é justificável? Se é sim para as duas perguntas, significa que devemos apoiar o tráfico (todos os tipos) e vamos garantir apenas benefícios imediatos. Se vamos ficar sem água e sem futuro não é problema nosso mesmo, mas das gerações futuras! Nível de irritação: 10.

10. Construções que ignoram o seu entorno. Santa Catarina vive a realidade de vendavais e inundações. Mesmo assim, as pessoas teimam em construir suas casas sem perceber essa realidade: constroem perto de rios, nos morros, constroem casas gigantescas, fechadas, sem ventilação e resolvem o calor ou o frio com ar-condicionado. Constroem no mangue, em área de preservação permanente, cortam todas as árvores e cimentam o que sobrou. Tudo seria mais fácil se tirássemos os olhos do nosso umbigo e respeitássemos o local onde vivemos. A natureza não vai se adaptar a nós. Nível de irritação: 10.

* Publicado ontem no Jornal AN, SC.